Educação a distância: o que muda no modelo de ensino com o comportamento trazido pela pandemia do COVID-19?

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Vimos nas últimas semanas grandes mudanças no mundo inteiro. Com o aumento de casos de coronavírus, as autoridades de saúde fortemente recomendam o isolamento social como medida para evitar aglomerações e, consequentemente, o contágio pelo vírus. No Brasil, a paralização ou suspensão das atividades já vem acontecendo há algumas semanas em quase todos os setores.

Segundo James Allen, parceiro sênior da Bain & Company, empresa global de consultoria, os efeitos que a pandemia está trazendo para a economia são similares aos sentidos pelos CEOs americanos na época da Segunda Guerra Mundial. O que ele quer dizer é que há três fatores em comum com aquele momento: houve uma redução no número de consumidores devido ao racionamento e ao fechamento do comércio; o número de empregados diminuiu, já que muitas empresas tiveram que suspender suas atividades; e a cadeia produtiva foi afetada.

Assim como na Segunda Guerra Mundial, hoje, vivemos em um período de incertezas. Contudo, a década de 1940 foi marcada por uma grande transformação na indústria, com a reconfiguração dos negócios, de forma a se adaptarem à nova realidade. Como consequência disso, muitas empresas saíram desse período e dominaram indústrias globais por décadas. Enquanto isso, as que não se adaptaram, acabaram fechando.

 

Como o coronavírus tem afetado o sistema de ensino?

 

De acordo com dados da UNESCO, há mais de 1,5 bilhão de estudantes fora das escolas em 192 países. Isso quer dizer que 91,4% de todos os estudantes do planeta foram afetados pelo fechamento das escolas. Só no Brasil, esse número chega a quase 53 milhões de pessoas. Além de todos os demais problemas agregados a isso, o fechamento das escolas pode afetar o processo de aprendizagem.

A alternativa que muitas escolas e institutos de ensino superior estão tomando é o ensino a distância. O Ministério da Educação publicou no dia 17 de março de 2020 uma portaria, que possibilita substituir as aulas presenciais pela modalidade a distância devido ao isolamento social.

Esse modelo de ensino começou no século 19, com cursos profissionalizantes em que os materiais e atividades eram enviados por correio. Com o tempo, o EaD foi evoluindo e migrou para outras plataformas até chegar na internet, possibilitando uma maior disseminação de conteúdo e aprendizado.

As vantagens do ensino a distância são várias. Para o presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), Fredric Litto, elas se resumem em 4 pontos principais. Segundo ele, o ensino a distância é:

– Uma opção econômica, uma vez que é mais barata que a modalidade presencial;

Conveniente, porque o aluno pode decidir onde e quando estudar;

Enriquecedor, por possuir conteúdo de qualidade; e

Inclusivo, ao disseminar mais facilmente o conteúdo, principalmente para as pessoas que não têm acesso a uma universidade.

Segundo Litto, no Brasil, o número de estudantes em cursos de ensino superior a distância já passa de 1,3 milhão de pessoas, representando 17% do total de alunos universitários do país. E esse número só vem aumentando, visto que no ano de 2019, houve mais novas matrículas em EAD do que em cursos presenciais.

 

E depois que tudo passar? Qual será o futuro da educação?

 

Como vimos, o ensino a distância vem crescendo bastante no país, mas precisamos tentar entender qual será a importância dessa modalidade no futuro. De acordo com uma projeção da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), no ano de 2023, as universidades particulares brasileiras terão um número maior de matrículas em cursos a distância do que em cursos presenciais.

Contudo, muitos ainda discutem a importância do fator presencial na educação. Fatores como socialização, contato direto com professores e outros alunos, ambientes com a infraestrutura necessária para o aprendizado, e muitos outros pontos ainda são relevantes quando tratamos da aprendizagem.

Para Priscila Cruz, presidente da ONG Todos Pela Educação, o legado que tudo isso vai deixar para o futuro é que vamos usar a tecnologia e o estudo remoto como forma de complementar a educação presencial e isso deve ser feito de forma inteligente. Já o presidente da ABED acredita que em um futuro próximo, não vamos mais falar de educação a distância, mas sim em uma sobreposição dos dois tipos de ensino. Ele cogita que haverão cursos presenciais com recursos virtuais e cursos a distância com encontros presenciais para aumentar a eficácia da aprendizagem, principalmente em cursos da saúde.

Sendo assim, é possível concluir que o ensino a distância possui muito potencial no mercado brasileiro e global. Essa modalidade permite fácil acesso, com custos menores e com um maior alcance. Ademais, além de ser uma opção de ensino por si só, existem diversas possibilidades para seu uso como complemento do ensino presencial.

 

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