Estamos ficando velhos. Isso é ótimo. O mercado imobiliário sabe disso?

Estamos ficando mais velhos; mas isso é ótimo? Bem, compare com a alternativa. Brincadeiras à parte, é claro que estamos ficando velhos de forma diferente do que os nossos “velhos”. Hoje envelhecemos mais e melhor. Não à toa, ocorrem agora as mudanças na aposentadoria, com a idade mínima, pois se atinge os 60 anos com muito mais capacidade física e mental do que no passado – em termos de média populacional é claro. Se estamos nos preparando para o envelhecer, o que o mercado imobiliário brasileiro está fazendo a respeito disso? Até agora, muito pouco. Mas isso está mudando.

Nesse sentido, um grande mercado imobiliário nos EUA é o mercado de Senior Housing, ou as comunidades e habitações destinadas ao público sênior. Nos Estados Unidos existem mais de 24 mil comunidades de Senior housing e nursing care, com pelo menos 25 leitos, gerando uma movimentação anual de mais de 470 bilhões de dólares. A parte do leão é claro, fica com a administração das comunidades, e não com a construção e venda de unidades. Aliás, o modelo é patrimonialista, pois as maiores administradoras não detêm a maioria dos ativos, funcionando, a título de comparação, quase como bandeiras hoteleiras. A absorção de nova oferta de Senior Housing permanece saudável e a taxa de ocupação nesse segmento tem sido relativamente consistente e nunca esteve significativamente abaixo de 90% – mesmo durante a recessão econômica de 2008. O crescimento da demanda também é impulsionado pelos idosos que estão cada vez mais informados sobre os benefícios de morar em Senior Houses e que tem capacidade financeira de aproveitar as inúmeras opções de serviços disponíveis para eles. Trata-se, portanto, de uma virada, do paradigma da construção, para o paradigma dos serviços, “less bricks, more services”. Estima-se nos EUA, até 2056, que esse grupo será maior que a população com menos de 18 anos. Esse crescimento populacional das pessoas com mais de 65 anos representa muitos desafios para os formuladores de políticas e programas, pois tem um impacto significativo sobre as famílias, empresas, provedores de serviços de saúde e, principalmente, sobre a demanda por Senior Housing.

Aqui no Brasil, por exemplo, estima-se que em 2045 haverá mais pessoas morrendo que nascendo, o que significa que de fato o mercado imobiliário deve já antecipar essa demanda do envelhecimento, pois em pesquisas que a Brain vem realizando, inclusive com os primeiros projetos que vieram ou estão vindo à mercado, já há demanda qualificada para o novo produto/serviço.

Mas há desafios imensos no Brasil, a começar pelo desafio cultural. Como abordar esse mercado, como desenvolvê-lo em nosso país? Um pouco disso é que trata o curso Senior Housing, detalhando o funcionamento desse mercado e como podemos trabalhá-lo com sucesso aqui e, mais ainda, para que tipo de públicos sênior devemos fazer nossos produtos? Dê uma olhada na primeira aula e siga aprendendo aqui na eBrain. Envelheça com saúde!

Por: Marcos Kahtalian, Sócio-diretor da Brain Inteligência Corporativa.